Há um distanciamento de mim para comigo mesma nesse momento. Uma necessidade de integrar partes que ficaram perdidas pelo espaço-tempo. Um eu observador que analisa a sua realidade sem envolver-se em seu drama enquanto testemunha o que a vida quer lhe ensinar. Esse meu eu atemporal, desconexo, irreal, anseia por completude e infinitude. Encontro-me no porto mirando o mar em busca de novas aventuras. Sou o oceano, o céu estrelado, o cosmo. Esse coração de nebulosa sonha em pisar em uma estrela qualquer enquanto tenta, a todo custo, gravitar por si própria. Os pensamentos no amanhã, os desejos perdidos no passado e a alma aterra no presente. Sou o sonho dos meus antepassados e daquele ingênuo fragmento meu que, enfim, pode reflorescer.
Eu sei que isso é ansiedade. Mas perdoa minha intensidade. Eu entendi que a vida é só uma: eu quero viver tudo hoje.
Sejamor